ISSN: 2447-2662
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Das ruas

04.11.2018

Jean-Michel Basquiat (1960-1988) é um dos tradicionais artistas da Nova York dos anos ’70. Em meio à ascensão da cultura do hip hop e do punk, foi responsável por levar os grafites às maiores galerias e contestar o elitismo da arte clássica.

 

Num sábado de muito sol no Centro do Rio, eu, Apa e Vergette fomos ao CCBB ver a mostra de desenhos, quadros e gravuras de Basquiat.

 

A exposição começa apresentando os grafites de Basquiat produzidos junto com seu amigo de escola, Al Diaz, artista das ruas de Manhattan que começou a grafitar aos 12 anos. Os dois participavam, com outros estudantes, da revista estudantil Basement Blues Press    e    foi elaborando um artigo para a revista que Basquiat concebeu a ideia do SAMO© (sigla para Same Old Shit) que, para ele, seria uma guilt free religion.

 

Em 1978, Diaz e Basquiat começaram a reproduzir SAMO© nas paredes de NYC, permanecendo no por pouco tempo, até venderem o artigo SAMO© Graffiti: BOOSH-WAH or CIA? Para a revista Village Voice por $100.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pouco tempo depois, os dois se  distanciaram.   Enquanto Al Diaz seguiu a carreira musical, Basquiat se intitulava o próprio SAMO©. Passou a ser considerado um artista do neo-expressionismo, junto com Julian Schnabel e David Salle. Também se tornou amigo de Andy Warhol, com quem fez algumas colaborações presentes na exposição.

 

 

Como neo-expressionista, as obras de Basquiat refletem claramente uma quebra na áurea de formalismo, elitismo e intelectualidade que englobava a arte tradicional.

 

I want to make paintings that look as if they were made by a child.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Suas obras são marcadas pelos traços brutos, com cores muito intensas e também pela  utilização de materiais rústicos e crus. Alguns quadros, inclusive, possuem pedaços de madeira como suporte. Tudo isso para demonstrar que a arte não é algo intangível.

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De maneira geral, Basquiat muitas vezes representava objetos e elementos do seu cotidiano. Filho de uma mãe porto-riquenha e de um pai haitiano, o espanhol é muito presente em suas obras. Além disso, enquanto criava seus quadros, ouvia rádio, lia livros e assistia à TV, de modo que seu processo artístico era influenciado pelas coisas que via e ouvia.

 

 

 

Quando tinha apenas sete anos, foi atropelado e teve de ficar muito tempo no hospital, quando sua mãe lhe deu de presente o livro Gray’s Anatomy - atlas da anatomia humana do século XIX. Esse livro também influenciou suas obras, que retratavam braços, pés e caveiras humanas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Junto com Keith Haring e Andy Warhol, Basquiat foi responsável por iniciar e consolidar um movimento de desconcentração artística. Isso porque não só conseguiu transformar a rua como um meio para produção de arte, saindo dos lugares comuns das artes (galerias e museus), mas também conquistou reconhecimento aos artistas da cultura urbana subterrânea de Nova Iorque.

 

Referências
http://www.dazeddigital.com/art-photography/article/37058/1/al-diaz-on-samo-and-basquiat

http://www.dazeddigital.com/art-photography/article/38129/1/-jean-michel-basquiat-in-his-own-words

https://www.theguardian.com/artanddesign/2017/sep/03/jean-michel-basquiat-retrospective-barbican

https://news.artnet.com/art-world/basquiat-nairne-interview-1070477

Ana Clara Jansen é aluna do 6º período da FGV Direito Rio
 

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