vira e mexe eu me pego pensando no mar

O texto da Coluna Semanal dessa vez é da Deborah Melegare. Nele, a autora expõe a sua saudade da alegria e leveza que as praias e o mar proporcionavam, sentimentos cuja apreciação está interrompida em tempos de pandemia. vira e mexe eu me pego pensando no mar. não há lugar de que eu sinta mais falta do que do mar. da paz de estar sozinha no meio da água salgada de ipanema em um dia de céu azul e água calma olhando para o dois irmãos. frequentemente, a lembrança dessa paz se revira em mim feito onda no mar. e, assim, eu afundo nos meus pensamentos. consigo enxergar as ondas e o mar em cada aspecto da minha vida nos últimos doze meses. nas ondas da pandemia, uma atrás da outra. na lembrança da água do mar que escapava pelos meus dedos como sinto que o tempo agora escapa. na sensação das lágrimas salgadas que escorrem pelo meu rosto como as águas do mar que tanto me acalmavam costumavam fazer. no cheiro de maresia que uma vez ou outra chega na varanda do meu quarto em laranjeiras. nas ondas de emoções e sentimentos que venho conhecendo durante esse tempo. a saudade e a tristeza que batem forte no meu corpo como uma onda revolta arrebenta nas pedras. e eu me afogo com essa. e depois eu volto a superfície. e aí respiro um pouco e vejo as belezas e bençãos que possuo mesmo do olho dessa tempestade. mas o ar não dura muito. outra onda já vem vindo me colocar pra baixo d’água de novo. e assim eu vou. levada pelas ondas. levada pela saudade, pela tristeza, pelo alívio, pelo medo, pela gratidão, pela raiva, pelo amor, pelo mar.

vira e mexe eu me pego pensando no mar