sentimentos de 30 dias quarentenada

Já faz tempo que quero escrever alguma coisa que eu não sei o que é. Nessas semanas confinada, longe de tudo que me dá vida e completa, me vi diante da necessidade de dar vida a mim mesma... Meus pais fizeram aniversário no meio do furacão, e eu aprendi a comemorar mesmo tendo vontade de chorar. Briguei com meu pai, briguei comigo mesma. Ainda sem certeza de nada, sem saber onde buscar alegria, me vi afogada de um mar de gente que não tem nada a ver comigo. Num campo minado de “falo ou não falo”, as vozes se calaram dentro de mim e o mundo me encheu de vazio. Fiz aniversário no meio do furacão e ainda não senti vontade de falar. De tantos vazios me preencheram nesses dias..... Vazio dos outros e vazio de mim. Volto pra cá e me perco no que nunca fui. Me perco nos hábitos, nas manias, no jeito de falar, de me expressar, de sentir... Me perco no que eles são e os confundo com o que sou. Me perco no tempo, no que parece eterno e no que não quero que passe nunca. Por alguns minutinhos me perco deles – que é mesmo de quem às vezes quero me perder. No fundo, só sinto medo de me perder de mim. Quando eu ainda não tinha ideia de quem eu era, uma pessoa me apresentou um mundo novo pela música. Músicas que eu aprendi a sentir e que, de tanto sentir, acabei me reconhecendo dentro delas. Nessa época eu nem me conhecia; não tinha ideia de quem eu era. Tem vezes que nem eu entendo, mas tem essas coisas que pulsam tão forte dentro de mim.... Nem sei o que mais eu poderia ser senão tudo que essas pequenas coisinhas me fizeram descobrir que sou tanto. Nem era sobre isso que queria falar, mas acabei me lembrando porque hoje se foi um dos grandiosos responsáveis por essas “coisas pequenas” que me fizeram descobrir em mim mesma a possibilidade de um Ser tão grande... Vou mostrando como sou, e vou sendo como posso.. Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos e pela lei natural dos encontros eu deixo e recebo um TANTO! Se uma parte não parece ter a ver com a outra, agora nesse finalzinho eu faço questão de conectá-las: nessa quarentena, com um medo doído de me perder, quando sinto que estou todos os dias tão distante de tudo que eu sou, me entrego pras músicas que me fizeram descobrir a grandiosidade do que eu podia me tornar – quando, lá atrás, eu ainda pensava que não era nada. Me entrego pros braços dos artistas que eu amo porque eles fizeram a ponte entre o que sou neste momento e a grandiosidade do que posso ser em todos os próximos dias. A música brasileira me resgata do limbo do medo, me leva pra lugares em que eu sei exatamente o que não sou e o que quero ser mais e mais. Talvez ainda não faça sentido pra você hahaha mas pra mim faz! A música brasileira me transforma, me dá forças – faça quarentena ou faça liberdade – pra dar vida a mim mesma, me deixa não precisar dar vida sozinha.. porque a música brasileira alimenta, por ela mesma, a minha vida! Se eu fosse vocês, alimentava minha alma disso também. Amor pela arte, amor pela vida e por tudo que ainda posso descobrir que quero ser!

ISSN: 2447-2662
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