O melhor candidato para as eleições de 2018

As eleições presidenciais deste ano tomam conta de todas as manchetes diárias dos jornais, revistas e até daquele bate-papo da hora do almoço ou no elevador. O futebol brasileiro parece ter deixado de ser o grande evento de comoção nacional para dar destaque às urnas que elegerão o próximo presidente da República. Enquanto isso, fora de campo o que não falta são os debates, as novas candidaturas, as trocas de agressões e xingamentos e a visão futebolística – lê-se dualista – do eleitor brasileiro. Muitos me perguntam em quem eu vou votar e porquê, e foi com base nisso que me inspirei a elaborar esse texto. Não só fico incomodado em responder essas duas perguntas como com as réplicas delas quando as respondo. Seria o meu candidato tão bom assim para eu justificar meu voto nele em uma mísera conversa de corredor? Certamente não, nem o meu, nem o seu, e nem o de ninguém. O fascínio brasileiro no Curto Prazo Talvez a predileção brasileira em querer respostas rápidas em um curto espaço de tempo não esteja presente só em nossas conversas diárias, mas também nas preferências políticas. São as chamadas políticas populistas. Note como em todas as eleições existe sempre um candidato muito bem-intencionado que propõe medidas que melhorarão a vida de todos os cidadãos em até um ou dois anos. Rápido como um passe mágica. Essas medidas, que no médio e longo prazo quase sempre geram consequências desastrosas para a própria população, possuem um efeito crucial na disputa dos votos entre candidatos. Afinal, para que votar no candidato que vai melhorar a vida dos meus netos quando posso votar no que irá melhorar a minha? E talvez isso possa explicar o baixíssimo nível dos candidatos nas eleições, seja ela majoritária ou proporcional. Tomamos sempre aquele remédio de rápido efeito. Nunca procuramos saber a causa da doença, muito menos recorrer a um tratamento. Afinal, como já afirmava Keynes, no longo prazo todos estaremos mortos. Na corrida eleitoral, o remédio se traduz nos que conquistam o eleitorado facilmente, com aquele discurso fácil e que pode ser decorado e repetido por todos em qualquer lugar, inclusive nos bate-papos e conversas de elevador. E aí que mora o segundo perigo. Esses discursos prontos fáceis de serem reproduzidos, como “bandido bom é bandido morto”, “calote da dívida pública”, “Bolsa Família sustenta vagabundo”, entre outros, acabam por dualizar ainda mais o espectro político da população. São esses discursos, geralmente associados a candidatos extremistas e populistas, que acabam tornando as pessoas intolerantes com o pensamento divergente. E a História já nos mostrou onde a intolerância já nos levou, não é? Portanto, o melhor candidato para presidir o Brasil não é simplesmente o mais honesto, ou o mais popular, mas sim o que possui em mente o melhor tratamento que o nosso país precisa. O desejo por mudanças sustentáveis e realmente eficazes precisa partir da própria sociedade, que deve rejeitar políticas populistas que trazem consequências maléficas para as futuras gerações. Somente assim poderemos construir uma nação mais justa, rica, desenvolvida e com conversas de elevador mais longas. Flávio Bittencourt do Valle é estudante no 4º período na EPGE. A ilustração deste texto foi feita pela Marília Arruda (@arruda.marilia), ilustradora da Edição 12 da Revista.

ISSN: 2447-2662
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