O Hino

Um dia elegeram um hino que veio a ser o do Brasil, Um texto de estrangeiro que colocaria no papel o retrato nacionalista do povo que instituiu. Mas, na real... “Ouviram do Ipiranga às margens Plácidas. De um povo heroico, humilhado e enganado. E o sol da liberdade raios fúlgidos, que queimam e ardem o chicote nos negros que não deixaram de ser escravizados. Se o penhor dessa igualdade, Conseguimos conquistar com braço forte, sangue, tortura e morte? Em teu seio, impunidade! Desafia o nosso povo à própria sorte. Ó pátria amada, escravizada, calada, salve ou mate. Brasil, um sonho intenso raio vívido, por temor e esperança o povo pede. Se em teu formoso céu condenado seja o ímpio, a imagem da hipocrisia na bancada evangélica reflete. Gigante pela própria natureza, de lutar sujeito a nunca mudar o cenário de tristeza. És belo, és forte, és resistente no sufoco. Se em teu futuro espelha toda dureza? Terra adorada, mal dividida, injusta e comprada! És tu Brasil, corrupto no governo que representa o povo que os fala. Dos filhos desse solo às mães pretas, solteiras e faxineiras, sem estado civil, pátria amada no futebol, Brasil.” Brasil, “o país da diversidade!” onde só se tem respeito um doutor que sempre teve seus direitos assegurados pelo oceano de privilégios da oportunidade. Diferente da base que move a sociedade, ao léu. Doutor não sabe o que é dificuldade, nem mesmo o que seja um mundo cruel. Desde o berço foi garantido seu status, moradia, acesso à universidade e com certeza um emprego digno à sua capacidade. -Todos iguais perante a lei! Mas, que igualdade? Um país tão lindo que empobrece a educação e fomenta a violência? Que desmerece o educador e aliena o povo pela imprensa? Brasil. Nada se pode declarar, de um povo feito de bobo que finge não ver milhares dos seus injustamente suas vidas acabar. Tem pobre morrendo de fome, Tem criança morrendo de frio, Tem jovem morrendo no tráfico: - "O presídio tá lotado põe mais mil." - Tem doente na fila do SUS, Tem mãe morrendo pelo filho, Tem mulher apanhando do marido, Tem LGBTQ+ morrendo a cada 24 horas a sangue frui, Tem muito preto executado na favela, na novela, na janela, na rua, no carro, no extra, menos um, cancela. O bolsa família, o vale refeição. - "chega de cortesia, prende maldito! Não quero escravo reclamão e fujão." Chega! Che-ga, o povo não consegue reagir, não dá. O pior é que sem entender pedem intervenção militar. Quando o que pra esse povo importa é a seleção essa Copa ganhar. Brasil, acorda! Se não, não sobrará nenhum filho teu para contar a nossa mísera história.

ISSN: 2447-2662
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