Nascente

Expressando seus sentimentos sobre as diferentes formas que uma pessoa ou uma vida podem tomar, fiquem com a poesia escrita por Pedro Thiengo. Nascente Em seu rosto costumava ver o sol Nascente De um rio de luz fúlgida Viver era me espalhar Afluentes Deságuo quando amo Amo quando deixo Corrente E por mais que eu tente Remar à margem segura da razão Desvendar os mistérios d'existência O silêncio eloquente Faz-me me ouvir nos outros Os ecos do que já fui Estridente A notícia põe um termo E tudo é sempre nuvem, volátil Não sente? Que o amanhã não tem Senhor Que é no limite Que o fim da sentença Não é fim em si Nem sentença Excelente Amanhã mesmo me converto Qualquer esperança que seja Serei eterno para poucos Sucinto demais para dizer algo Urgente Perca-se, por todos e nenhum caminho Leva a lugar algum Atente Que somos todos caminhos tortos Que se entrecruzam E sem qualquer sinal Acidente Seguirei até o fim do olhar Indigente Que buscou morada além da saudade O que mais me consterna É não poder enxergar Um palmo à frente Não há futuro que não se apresente Como uma aquarela desbotada Cuja tintura se esvai Em minha mente O destino reles de quem foi inundação O corpo reluta e, no entanto, Assente Sou só um inquilino Insolvente Ninguém jamais foi grande Vivendo no tempo livre Experimente Se não sou imortal Ao menos não fui Ausente Se não nasci pra isso Ao menos nasci e sou Nascente

Nascente