Não Esperado

O amor Não é o que eu pensei que seria. Ele não anda de mãos dadas, Ele não pensa em ter filhos, Ele não dorme abraçado (Necessariamente). O amor Não é a constância do tempo E a certeza de um amanhã. O amor Não é a vontade de estar junto. Tampouco o desejo De se separar. O amor Pode ser um gole de vodka, Seguido de um beijo quase desconhecido. Pode ser a ressaca Dos apaixonados, Dos desesperados, Dos loucos. O amor Pode ser o desejo de distância Ou a ânsia do encontro. Pode ser, De todas as coisas, A paixão efêmera, Que mal tem tempo De virar amor. O amor É como as ondas do mar, Ou as ondas Que esse poema forma, Na página em branco, Cuidadosamente. Mas O amor Não é isso. O amor não é o cálculo dos poetas, A métrica e a ciência. O amor É isso Que não ouso chamar amor, Porque fugaz. Uma festa de dia inteiro, Um sofá apertado para dois, A tua tentativa, Muito bem-sucedida, De me embebedar. Onde o teu corpo, Amada, Entre todas as amadas? Qual tua voz, Amada, Entre todas as amadas? A tua dança, Teus olhos claros, Tua conversa leve. Amada, Entre e acima De todas as amadas, Onde estará teu rosto Fino pacífico? Não te assustes com a profundidade Que emerge De um contato tão singular. Eu chamo isso de amor, Mas entendo se você estranhar. Não se preocupe, Amada minha. O amor Pode ser a vela que tudo ilumina, Mas cedo se apaga. Por hoje, Fui teu poeta E tu fostes meu cantar. Mas não te iludas, Se acaso, Gostares do meu sonhar. Amanhã mesmo, Amor meu, Já deixo de amar. João Pedro Vasconcellos é aluno do 6º período da FGV Direito Rio

ISSN: 2447-2662
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