Égide

“Everybody says this place is beautiful And you'd be so crazy to say goodbye But everything's the same, this town is pitiful And I'll be getting out As soon as I can fly” Sobre como as coisas mudam. Um ano. É tudo. É nada. É muito e muito pouco. Há um ano eu escutava uma música repetidas vezes durante dias. Não que isso seja algo diferente do que estou acostumada a fazer. Quando eu gosto de uma música, ouço-a incansavelmente (até cansar). A diferença entre essa vez e as outras foi a música e, principalmente, o que eu sentia enquanto a escutava. Ela me teve desde o primeiro momento. Gosto de acreditar que a letra dela me chamou. Tinha muito do que eu era. Ou do que eu queria ser. Era Talihina Sky (na versão acústica, por favor), de Kings of Leon, que é, também, o nome do documentário da banda. Não é novidade eu estar escutando Kings of Leon em um looping infinito. Foi em 2015, provavelmente, que eu li uma matéria da Capricho que falava sobre a banda e ela se tornou a minha favorita. Desde então, eu tenho uma playlist com todas as músicas dela, que fico escutando por dias a fio sem medo. O que é estranho é que só no ano passado eu fui conhecer Talihina Sky, ou, então, que fui prestar atenção nela, ou, ainda, que ela me conheceu e prestou atenção em mim. Estava no celular lendo e procurando coisas sobre a banda, como a boa fã e curiosa que sou. E, então, apareceu uma foto com um trecho da música. Um trecho que simbolizava tudo o que eu sentia naquele momento. Logo coloquei para tocar no meu fone de ouvido. E chorei. E chorava. A música do álbum de 2003 parecia ter sido escrita por mim e para mim, em um e para um momento conturbado do meu 2018. Eu queria mudar. Crescer. Me desligar de quem eu sempre fui. Me afastar do meu lugar comum. Me desvencilhar da bolha em que sempre vivi. Não aguentava mais. Tudo era igual. Tudo era cansativo. Tudo era muito. E me consumia. Mas a música ajudava. Deixava mais leve. Menos dolorido. Aliviava. Eu tinha encontrado “alguém” que sentia como eu. Sentia o que eu sentia. Compreendia. Agora, um ano depois, tudo mudou. Sei que a música em si não tem nada a ver com isso. Mas ela fez eu não me sentir só. E acho que, no fundo, era disso que eu precisava. Já não me sinto presa. Já não me sinto esgotada. Já não me sinto sugada pelos arredores. Já me sinto mais eu do que jamais fui. Obrigada por me sentir, Kings of Leon. Obrigada por ter me encontrado.

ISSN: 2447-2662
  • Branca Ícone Spotify
  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram