• Antonio Tabajara

100 anos de Jacob do Bandolim

“O brasileiro é um povo esplendidamente musical”

- Mario de Andrade

Jacob do Bandolim: leitor, você o conhece? Não me espantaria se não o conhecesse. Enquanto jovem brasileiro, sei que o Brasil desempenha

um excelente trabalho fazendo cultura, mas costuma ser péssimo disseminando-a. Simplesmente, Jacob do Bandolim é, muito provavelmente, o maior bandolinista da história. Considerado por muitos como um dos mais importantes instrumentistas da música brasileira, compôs inúmeros clássicos brasileiros do século XX, como Noites Cariocas, Doce de Coco e Vibrações. O ano de 2018 marca o centenário do nascimento desta figura lendária, cuja trajetória pessoal e musical serve de grande inspiração.

Filho de um farmacêutico capixaba e uma polaca – nome dado às prostitutas polonesas que vinham ao Rio de Janeiro no final do século XIX –, Jacob Pick Bittencourt começou a tocar bandolim por volta dos 12 anos de idade. Crescido no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, teve vários trabalhos ao longo da carreira, mas em nenhum momento dependeu financeiramente de sua música, fato que o permitiu compor e tocar conforme quisesse, sem pressões comerciais. Quando jovem, se apresentou em alguns programas de rádio, ambiente no qual acabou sendo ‘descoberto’ como prodígio musical. Embora sua estreia em disco tenha vindo em 1947, com o choro Treme-treme, seu primeiro grande ‘clássico’, Doce de Coco, foi gravado em 1951. Ao longo das próximas décadas, Jacob foi se consagrando enquanto gênio, um album por vez. Faleceu em 1969, tendo sofrido um infarto cardíaco quando voltava da casa de seu amigo e ídolo, Pixinguinha.


Dentre os aspectos que conferem a Jacob sua genialidade, talvez o principal seja a sua técnica. Como muitos bandolinistas contemporâneos e posteriores dizem, Jacob era capaz de extrair do bandolim um som que ele não tinha. Uma mistura de inovação na forma de tocar e alterações físicas no bandolim deram a Jacob esta particularidade. Radamés Gnattali, pianista e outra figura importante da música brasileira, já dizia: “Jacob toca Jacob, os outros tocam bandolim”. Além de compositor, Jacob também era excelente intérprete. Graças à sua capacidade de extrair esse som único e à sua sensibilidade para ‘entender’ os elementos musicais, Jacob era capaz de ‘dar vida’ às melodias como ninguém.

Para ilustrar tudo que já foi exposto acima – principalmente aos que não conheciam Jacob do Bandolim antes de ler este texto –, deixo aqui três músicas de sua autoria, e sugiro a todos que não só escutem mais choro, mas que escutem ao vivo. Nenhum arquivo em .mp3 ou site de streaming de música traduz a beleza do choro melhor do que simplesmente assisti-lo acontecendo!

Antonio Tabajara é aluno do 4º período da Escola de Economia da FGV e membro do Núcleo de Produção Cultural

#ArquivoÁgora

ISSN: 2447-2662
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