• Leonardo Menescal

Amarelo

Amarelo. Cor chamativa, forte, muito visível. Símbolo de alerta, atenção, indicação. Urgência.


Não à toa é a cor escolhida pra representar o mês mundial da Prevenção ao Suicídio. Isso é assunto amarelo, importantíssimo. E, além do suicídio, é importante também falar sobre outros distúrbios mentais.


Ansiedade, depressão, síndrome do pânico, pensamentos suicidas. Uma lista de distúrbios que a sociedade vê de forma muito equivocada e que, na verdade, são vividos ativamente por nós.


Já ouvi falar que, antigamente, o conhecimento desse tipo de coisa era muito limitado. Não é raro ouvir pessoas de gerações anteriores dizendo que, na época deles, isso tudo não existia... Só que existia sim. Na verdade, naquela época, as pessoas que tinham esses distúrbios eram consideradas loucas.


Loucura (sic.): Sentimento ou emoção que foge ao controle da razão.


De fato, se levarmos em consideração o significado da palavra, podemos perceber que muitas vezes esse tipo de problema expõe sentimentos que não condizem com a realidade, ou, pior ainda, sentimentos que são alimentados por percepções deturpadas do nosso dia a dia. Nossa cabeça é poderosa, e se direcionada da maneira errada pode produzir sentimentos inimagináveis.


Com o passar dos anos isso foi se desmistificando e hoje em dia podemos dizer que os distúrbios psicológicos são vistos de maneira muito diferente. Acontece que, na verdade, nunca foi tão acessível a informação. Ou seja, nunca foi falado, estudado e pesquisado tanto quanto hoje em dia. As pessoas que sofrem com esses problemas não são mais vistas como loucas, mas sim com um olhar mais racional. É um paciente em tratamento, sob cuidado de médicos e, se necessário, com a administração de remédios. Os remédios podem desarmar algumas armadilhas que nosso cérebro impõe, por exemplo.


A importância de entender melhor e falar mais sobre esse tipo de doença é grande, uma vez que isso faz com que mais pessoas possam identificar os sintomas e buscar ajuda. Falar sobre isso nunca é demais, e mesmo com todas essas melhorias, ainda faltam alguns passos para que possamos avançar. Hoje em dia esse assunto possui maior relevância, mas isso não necessariamente é suficiente!


É difícil falar sobre isso. É um assunto bruto, sério, assustador e complexo. Só de pensar muito tempo já sobe um arrepio na espinha. Ok. Mas é necessário falar sobre isso. Ta aí e ta pra ser conversado. Se não falarmos sobre suicídio, não poderemos ajudar a prevenir, se não falarmos sobre ansiedade e depressão não conseguiremos ajudar aqueles que sofrem com isso.


Às vezes podemos nos sentir sozinhos, com medo da reação de todos. Sentir que você não consegue lidar bem com o mundo, e, por ter um distúrbio mental, sempre achar que as pessoas te veem de maneira equivocada. É esse tipo de pensamento que nos faz esquecer que, no limite, sempre existirão pessoas que se importam conosco e querem nosso bem.


Qualquer pessoa pode sofrer disso. Não tem cara, nem endereço. O chefe, empregado, os pais, o estagiário... Todos podem ser vítimas. Muitas vezes um olhar desatento pode transparecer uma realidade de vida, mas nunca se sabe o que se passa dentro de cada pessoa. Cada um tem suas próprias batalhas, seu próprios leões a serem enfrentados. Não há de se comparar a dor do outro, mas sim entender ela


Da mesma forma que todos estão vulneráveis a esses distúrbios, todos temos a possibilidade de ajudar quem já está passando por essas situações: a chave de um mundo mais saudável mentalmente é a empatia. Não necessariamente precisamos resolver os problemas daquela pessoa, mas no mínimo entender. Estar ali pra ouvir. Estar ali e ponto. A importância dos amigos e da família nesses momentos é fundamental, uma vez que são geralmente as primeiras pessoas que notam mudanças na nossa atitude ou a quem recorremos quando passamos por momentos de dificuldades.


No entanto, não devemos banalizar a profissão de um psicólogo, de profissionais no assunto. Pessoas que sofrem com esses problemas devem buscar ajuda, e certamente podem ser ajudadas. Antigamente, um psicólogo era coisa de gente rica, privilégio para pouquíssimos. Atualmente temos visto um grande crescimento da acessibilidade à esse tipo de serviço, que vem se tornando mais financeiramente viável. Existem mais clínicas populares, serviços de rua. Aos poucos a ajuda mental têm se tornado mais democrática!


Cheguemos ao fim de setembro mas não cheguemos ao fim da estrada. Não paremos de nos importar, de debater. Não iremos. Quando se trata de ajudar e prevalecer a vida, todo esforço é valido. Que seja amarelo não só setembro, mas nossas vidas, e que fiquemos sempre atentos, alertas ao que cada um pode estar passando. Que tratemos com urgência esse assunto tanto quanto seja necessário. Pelo bem da vida e de nós. E que nenhuma vida seja encerrada de forma equivocada.

Leonardo Menescal é aluno no 4º período de Administração na Universidade Federal do Rio de Janeiro

A ilustração deste texto foi feita pelo Amauri (@amaurietc), ilustrador da Edição 11 da Revista

#ArquivoÁgora

ISSN: 2447-2662
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