• João Pedro Vasconcellos

Não Esperado

O amor

Não é o que eu pensei que seria.

Ele não anda de mãos dadas,

Ele não pensa em ter filhos,

Ele não dorme abraçado

(Necessariamente).

O amor

Não é a constância do tempo

E a certeza de um amanhã.

O amor

Não é a vontade de estar junto.

Tampouco o desejo

De se separar.

O amor

Pode ser um gole de vodka,

Seguido de um beijo quase desconhecido.

Pode ser a ressaca

Dos apaixonados,

Dos desesperados,

Dos loucos.

O amor

Pode ser o desejo de distância

Ou a ânsia do encontro.

Pode ser,

De todas as coisas,

A paixão efêmera,

Que mal tem tempo

De virar amor.

O amor

É como as ondas do mar,

Ou as ondas

Que esse poema forma,

Na página em branco,

Cuidadosamente.

Mas

O amor

Não é isso.

O amor não é o cálculo dos poetas,

A métrica e a ciência.

O amor

É isso

Que não ouso chamar amor,

Porque fugaz.

Uma festa de dia inteiro,

Um sofá apertado para dois,

A tua tentativa,

Muito bem-sucedida,

De me embebedar.

Onde o teu corpo,

Amada,

Entre todas as amadas?

Qual tua voz,

Amada,

Entre todas as amadas?

A tua dança,

Teus olhos claros,

Tua conversa leve.

Amada,

Entre e acima

De todas as amadas,

Onde estará teu rosto

Fino pacífico?

Não te assustes com a profundidade

Que emerge

De um contato tão singular.

Eu chamo isso de amor,

Mas entendo se você estranhar.

Não se preocupe,

Amada minha.

O amor

Pode ser a vela que tudo ilumina,

Mas cedo se apaga.

Por hoje,

Fui teu poeta

E tu fostes meu cantar.

Mas não te iludas,

Se acaso,

Gostares do meu sonhar.

Amanhã mesmo,

Amor meu,

Já deixo de amar.

João Pedro Vasconcellos é aluno do 6º período da FGV Direito Rio


ISSN: 2447-2662
  • Branca Ícone Spotify
  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram