• Isabella Aparício e Beatriz Vergette

High as Hope: olhos que viram de perto e coração que sente de longe.


High as Hope. Flutuante. Apesar de seguir a estrutura familiar dos outros álbuns, o novo lançamento de Florence + The Machine escancara a maturidade da transição da música louca e alternativa mais antiga da Florence para faixas que transbordam elegância, seguindo as pistas que How Big How Blue How Beautiful já indicava.


As músicas são íntimas, pessoais, nostálgicas. Hunger. Florence sofreu com anorexia quando era mais nova - aos 17 anos, como diz a música. Em um show em Londres, ela disse que colocou o verso "at 17 I started to starve myself" na música e mostrou pra irmã dela, que disse "cê tá doida?". Flo respondeu que sabia que era um assunto delicado, que preferia não falar muito sobre isso porque poderia ser mal compreendida e não queria gerar gatilho a ninguém, mas que "sem essa frase a música não seria tão poderosa". É o que faz da música uma das minhas favoritas, e dá pra ver que é uma das dela também.


South London Forever. Florence nasceu em Camberwell, sul de Londres, e fez essa música para relembrar a época em que ela morava lá. Na frase "young and drunk and stumbling on the streets outside The Joiners Arms" ela faz referência ao pub The Joiners Arms, onde ela fez o show de lançamento da música no dia 4/7, para 100 pessoas - eu uma delas. O show começou com a piada "Vim a muitos shows nesse bar, mas é minha primeira vez tocando aqui". Nesse mesmo show, ela contou, rindo, que era bartender na região e que "era uma ótima propaganda para o bar porque estava sempre bêbada". É claramente uma música nostálgica, mas, ao mesmo tempo, saudosa e gostosa de ouvir.


Grace. A música foi feita para a irmã mais nova de Florence, Grace, que sempre cuidou dela. As duas têm uma relação muito próxima, e a cumplicidade entre as irmãs fica evidente na letra, em trechos como "Grace, I know you carry us".


Sky Full of Song. Outra das minhas preferidas. A voz dela ao vivo cantando essa é talvez uma das mais bonitas que eu já vi vindo dela. June. Também acho uma outlier do álbum, mas duvido que ela vá investir muito nessa música nos shows, ainda que "hold on to each other" seja uma das frases que a banda mais divulga. Eu inclusive sinto muita falta das músicas mais lentas no show, principalmente de St. Jude, do How Big How Blue How Beautiful. acho esse o álbum mais poético de todos, e essas músicas têm umas das letras mais incríveis.


No Choir. É uma música desafiadora. O álbum é muito sobre a voz da Florence, mas essa música é praticamente ela cantando do seu lado. Você, Florence, um piano e alguns baús de questões antigas, subitamente reviradas. "The loneliness never left me", um verso de honestidade fria - mas tão bonito. Complementa e fecha o álbum da melhor maneira que poderia ser feita.


High as Hope. Poético. É, como a própria Florence já falou, sobre achar um amor que não surja da falta. É sobre abraçar a falta e reconhecer que ela tá ali. Presente. É sobre aceitar a falta e saber que ela é parte permanente.

Isabella Aparício é aluna de economia da FGV Rio e Beatriz Vergette é aluna de Direito, também na FGV

#ArquivoÁgora

ISSN: 2447-2662
  • Branca Ícone Spotify
  • Branco Facebook Ícone
  • Branca Ícone Instagram