February 18, 2018

Eu amo as ondas,

Que afogam os desesperados

E afundam as pequenas canoas.

Eu amo o vento,

Que varre a face da terra

E o telhado das casas de madeira.

Eu amo a chuva,

Que transforma em rios as ruas

E apaga a luz de meu quarto.

Eu amo os tiros,

Que atravessam o corpo despreparado,

Nas horas quietas da noite.

Eu amo as lágrimas,

Escorrendo no macio da face,

Transbordando as dores da alma.

Eu amo a guerra,

Que lava de sangue o corpo da terra

E preenche de raiva o vazio humano.

Eu amo o medo,

Que trava os passos na madrugada

E gera a gagueira dos apaixonados.

Mas,

Acima de tudo,

Amo estes teus olhos.

Essa inconstante

loucura,

Irrequieta,

Que fragmenta a saudade.

Essa pontada de angústia,

Que reparte a despedida,

Para que ela doa mais.

Como pequenos cacos de vidro,

Cravados no cerne da existência,

De um antigo vaso que se quebrou.

Como todos esses sofrimentos,

Que apenas existem porque sentimos.

Que apenas sentimos,

Porque amamos sentir.

João Pedro Vasconcellos é aluno da FGV Direito Rio

As ilustrações deste p...

October 29, 2017

Eu nunca fui fã do Kayne West. Tudo que eu ouvia e via sobre ele me remetia a machismo com quês de misoginia, prepotência e futilidade. Kayne West, para mim, representava o que existia de pior no hip-hop, um movimento que para mim sempre foi tão caro. Ele era parte da sombra que sempre me impediu de abraçar a causa de olhos fechados. Esse texto não é um pedido de desculpas ao Kayne West, apesar de o ser em parte. Ele continua sendo tudo isso que eu achava que ele era. Mas ele é muito mais e é preciso reconhecer isso.

Foi conversando com um amigo sobre Dear White People – que, por sinal, se você ainda não viu deveria largar esse texto agora mesmo e ir assistir nesse instante – e o quanto a série me impactou que o assunto Kayne West veio à tona. Esse meu amigo é um fervoroso defensor do rapper e me mostrou uma passagem da música que dá nome a esse texto. Gorgeous tem o seguinte verso que me convenceu a dar uma chance para o que ele tinha a dizer: “As long as I’m in Polo smiling they think...

September 12, 2017

     

Através de dois pontos de vista distintos, podemos constatar o óbvio (e o porquê dele): o arranjo de incentivos ao empreendedorismo brasileiro é por excelência inconciliável com a progressão minimamente espontânea de um mercado dinâmico e inovador. Faltam não somente oportunidades, mas um desenho institucional que privilegie boas ideias e instrumentalize aqueles que estão dispostos a concretizá-las.Em primeira análise, sabemos que o histórico papel atribuído ao Estado como provedor e onipotente tem como consequência uma burocracia constitucionalizada que dificulta o exercício fluido e "lubrificado" da atividade empreendedora. A carga tributária (em conjunto com a miríade de obrigações acessórias de adimplemento complexo, dependente de tecnologias caras e pouco acessíveis), a conjuntura econômica e política instável que desestimula a tomada de risco, os modelos societários pouco flexíveis e a notável morosidade do processo de abertura e dissolução de negócios são fatores...

September 5, 2017

Multas por excesso de velocidade no trânsito são frequentes no Brasil. Também

são nos Estados Unidos. O que, por vezes, nos esquecemos é que as vias têm limites mínimos de velocidade também, tanto lá como aqui. Você não pode simplesmente ficar parado no meio de uma via expressa, por exemplo, a menos que tenha acontecido algum problema com o carro (mas lembre-se que existe acostamento!). Dia desses, rodava pela região de Mountain View, no Vale do Silício, um dos simpáticos carrinhos autônomos do Google. Por razões de segurança, esta unidade era programada para não passar de 40 km/h e estava atrapalhando o tráfego numa via expressa. Foi parada pela polícia e, veja só, o policial se assustou: não havia motorista!

Esse caso curioso é exemplo dos tempos que nos esperam. A tecnologia dos ditos “self-driving cars”, ou simplesmente carros autônomos, está aí, batendo à porta. Para aquele leitor mais desavisado, vai aqui uma breve explanação: não é de hoje que sabemos que a peça que mais leva a a...

[Rio de Janeiro nos anos 90 e o surgimento do graffiti]

A nossa revista terá como próximo tema a sociedade à margem. Queríamos  saber como a sociedade te vê, como você se sente visto pelas pessoas  sem diferenciar você da pichação.

Lógico. Porque na verdade fazemos parte do mesmo universo com folhas diferentes. A pichação e o graffiti só aqui no Brasil que é distinta, que é diferenciada. No resto do mundo inteiro faz parte do mesmo tipo de coisa que se chama graffiti, ou a cultura de rua. Todo mundo é do mesmo universo. Tem gente que só bota tag, conhecida como “pichação” e tem gente que faz throw-up que é aquelas letras balões, rápidas, simples e tem gente que se dá o trabalho e faz produções, painéis e tudo; e tem gente que faz tudo, que é o meu caso.

Você é de Salvador, né? Como foi sua chegada ao Rio? Como estava o mundo do graffiti quando chegou aqui? Como você se inseriu nele?

Eu cheguei aqui muito cedo, né. Eu cheguei aqui com 14/15 anos, por aí, e não existia graffiti na época...

July 21, 2017

“O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso...”

Bill Shankly

Já há séculos, um dos debates mais controversos da humanidade se situa no campo da vida privada: o que leva alguns seres humanos a serem tão aficionados por um time de futebol? O que justifica tanto interesse (e um correlato sofrimento masoquista!) por 20 atletas, totalmente desconhecidos da sua intimidade, que encontram prazer em fazer com que uma bola de couro ultrapasse uma baliza de ferro? Ah, e tem mais 02 atletas, cujo objetivo sádico é impedir que os outros 20 obtenham este prazer...

Será que não existem realmente motivos que justifiquem este amor? Se faltam explicações racionais, estas sobram no campo da psicologia e da mitologia.

Dentro de uma visão psicanalítica, o Futebol é o que chamamos de objeto de transferência, ou seja, um fenômeno psíquico em que todas as fantasias, recalques, ansiedades e pulsões que compõem o nosso mundo interno se manifestam em determinadas situações vivi...

             Se na ficção Frank Underwood acredita que a democracia é supervalorizada; na vida real, ela é efetivamente capaz de remodelar instituições e comportamentos humanos. Entretanto, sua frase guarda uma particular semelhança com a realidade: não é a democracia (ou melhor, a política) o motor principal do mundo. O objetivo desse texto é chamar a atenção para uma nova relação entre economia e política, encaradas respectivamente como principal e agente.

             A relação principal-agente pode ser definida como aquela na qual uma pessoa (principal, ou seja, a economia) engaja outra pessoa (agente, ou seja, a política) para desempenhar alguma função em seu nome. Porém, se ambas as partes maximizam suas utilidades, existe uma grande chance de que o agente não aja no interesse do principal. Logo, este trabalhará com custos e incentivos para que aquele não o prejudique ou, ao menos, o compense caso aja contrário ao seu interesse....

Mentiria se dissesse que o Rio me recebeu bem. Cheguei em 21 de julho de 2016, dia em que algumas forças do além - também conhecidas como evaporação e condensação - decidiram inaugurar a minha estadia no Rio de Janeiro com o segundo dilúvio universal. Afinal, que classe de paraíso de calor tropical me tinham prometido? Bom, isso para não falar do taxista. Uma simpatia. Eu realmente tentei fazer com que ele acreditasse que eu era de Florianópolis, só por aquela coisa da compaixão nacional, para não ter de pagar aqueles 30 reais a mais que vêm incluídos no trajeto para aqueles que usam meias com sandália. O meu plano não deu certo.

Três meses antes de chegar ao Brasil eu não fazia ideia de que arroz com feijão virariam meu sustento, que eu iria brigar pelo último bis da caixinha , que ia odiar o motorista do Uber só por ter unicamente balinha de café - porque, afinal, quem gosta de balinha de café? -, e que iria me apaixonar à primeira vista pela vossa cidade mar...

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ISSN: 2447-2662
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