September 4, 2018

O céu nunca foi o limite pra quem nasceu pra sonhar demais

Pra quem nasceu pra sentir muito

Pra quem é 8 ou 80, sem meio termo

Não existem limites

Se eu quiser ir pra outra galáxia, eu vou

Se eu quiser me trancar dentro do meu quarto, eu vou

E se eu quiser fazer os dois ao mesmo tempo: eu vou

Eu faço o que eu bem entender, eu vou pra onde eu quiser

E não venha me dizer que o céu é o limite porque ele nunca funcionou como uma barreira pra mim

Céu pra mim é liberdade

É onde eu posso voar pra ver tudo do alto

É a divisão entre o nosso mundo e os mil espalhados por aí

Conquistar o céu não é conquistar tudo

Nunca foi

Conquistar o céu é saber que o mundo é pequeno quando comparado ao universo

E que você é pequeno quando comparado ao mundo

Mas grande o bastante pra voar por onde quiser

Poeta anônimo

A ilustração deste poema foi feita pela Marília Arruda (@arruda.marilia), ilustradora da Edição 12 da Revista.

August 20, 2018

Claude Monet (1840-1926) é conhecido por suas pinturas ao ar livre que vieram a definir o movimento impressionista, de que ele é membro. Ainda que suas representações de jardins, rios, campos e costas da França sejam as mais famosas, Monet também, por 5 décadas da sua longa carreira de 60 anos, dos anos 1860 até o início dos anos 1910, usou a arquitetura como forma de expressão de sua arte. O resultado disso encontrei na exposição Monet & Architecture, curada pelo Credit Suisse, no último mês em Londres.

A exposição começa mostrando a Normandia, onde Monet cresceu (aberta com a obra The Lieutenance at Honfleur, 1864), e segue refletindo o conceito de “paisagem pitoresca”, estética originada na Inglaterra no século XVIII que via beleza particularmente em prédios antigos posicionados em ambientes rústicos. A percepção do pintor sobre as paisagens pitorescas nunca foram convencionais, mas ainda assim são interessantes de se notar uma vez que Claude Monet é majoritariamente associado com ar...

August 13, 2018

As ruas cheiram à carne e gritam o estalo das latas de cerveja. Amanheceu Dia dos Pais e, por conveniência, amanheci com vontade de escrever. 

Era 1953 quando, por motivos comerciais, a razão-de-ser do 2º Domingo de Agosto foi descoberta no Brasil. Entendo que, no limite, devia haver algo que justificasse esse consenso. O dia dos pais não é fruto da ironia ou coincidência do grande-esquema-das-coisas; nem pode ser ceticamente visto como engenhosa promoção capitalista. Há algo de verdadeiramente autêntico na paternidade. O enigma foi-é-será saber o que. 

 Ilustração: Julia  Contreiras

A própria Literatura, que considero mãe-de-não-nascimento, parece se esquivar de mim e de minha bisbilhotice. Quando encaro seus olhos e tento chamar pelo seu nome, o significado da paternidade parece rir de mim e me escapolir das mãos. 

No momento em que li Vidas Secas, tornei-me amigo de Fabiano. Convivi com suas angústias, leguei a forma de meus pés às areias de um sertão esquecido e fui tão transitóri...

August 7, 2018


Alô, alô!


A Revista Ágora se encontra de portas abertas para aqueles que, como nós, têm o desejo de espalhar cultura, arte, política e tanto mais por aí.


Queremos convocar vocês a nos ajudar na missão de democratizar o canal de acesso à comunicação e impulsionar esse nosso projeto. 


Não é difícil: escreve pra gente um texto (de até uma página) contando um pouquinho de você e manda para o nosso email (agorafgv@gmail.com). Não, não queremos que você seja o novo Machado de Assis, estamos interessados na narrativa.


Mais informações estão disponíveis no Edital do Processo, disponível no site https://www.revistagora.com/, em "Processo Seletivo 2018.2"


Aguardamos as inscrições e nossa equipe está sempre disponível para tirar dúvidas!

July 28, 2018

Pablo Ruiz Picasso, pintor, escultor, ceramista, cenógrafo e poeta. Ícone. Espanhol; característica que, para Gertrude Stein, é a principal pelo sucesso da sua obra. De fases.

Engana-se quem acha que Picasso é mais um cubista. Ele passou, desde 1901 até 1919, pelos períodos Azul, Rosa, Africano e Cubista, tanto analítico quanto sintético. Nos anos 30 começa então sua fase surrealista - e a obsessão de mostrar que era o “maior artista vivo”. Em 1932, ano em que fazia 51 anos, embalado pelas exposições na galeria George Petit, em Paris, e no museu Kunsthaus, em Zurique, ele decide mostrar para o público todo o seu talento e começa a produzir quadros furiosa e freneticamente, muitas vezes em apenas um dia. The EY Exhibition: Picasso 1932 - Love, Fame, Tragedy - que eu tive a sorte de ver no último mês em Londres - vem nos mostrar justamente como foi esse ano de vida do pintor.

Tudo começou no natal de 1931. Picasso era casado com Olga, com quem não tinha um bom relacionamento. Sem paciência...

July 22, 2018

Certa noite, em minha cama, pus-me a refletir sobre quanto eu estou devendo à Biblioteca da minha Faculdade. Não sou o aluno mais exemplar em se tratando de prazos bibliotecários. Quando digo isso, ainda estou sendo bastante generoso comigo. Nos tempos da escola fui obrigado a desenvolver técnicas para atenuar as violentas multas de cinquenta centavos por dia.

Com nove anos eu já sustentava aquela biblioteca. A dívida pública brasileira não existe perto daquela. Era pura amortização de juros. Lembro que chegou ao ponto de sacrificar o lanche da cantina para pagar os famigerados bibliotecários. Com nove anos eu já havia pensado na auditoria cidadã.

Independente de eu ter uma jovem alma de esquerda ou não, fato é que a passagem de Karl Marx se aplica nesse exato momento: “A história sempre se repete”.

Cá estou, pensando na minha nova dívida com a biblioteca da Fundação Getúlio Vargas. Acho que já ultrapassam os três dígitos.

Um calote poderia ser uma opção. Poderia, de fato, se não existisse...

High as Hope. Flutuante. Apesar de seguir a estrutura familiar dos outros álbuns, o novo lançamento de Florence + The Machine escancara a maturidade da transição da música louca e alternativa mais antiga da Florence para faixas que transbordam elegância, seguindo as pistas que How Big How Blue How Beautiful já indicava.

As músicas são íntimas, pessoais, nostálgicas. Hunger. Florence sofreu com anorexia quando era mais nova - aos 17 anos, como diz a música.  Em um show em Londres, ela disse que colocou o verso "at 17 I started to starve myself" na música e mostrou pra irmã dela, que disse "cê tá doida?". Flo respondeu que sabia que era um assunto delicado, que preferia não falar muito sobre isso porque poderia ser mal compreendida e não queria gerar gatilho a ninguém, mas que "sem essa frase a música não seria tão poderosa". É o que faz da música uma das minhas favoritas, e dá pra ver que é uma das dela também.

South London Forever. Florence nasceu em Camberwell, sul de Londres, e fez ess...

Menino… Menino… cresce…

Menino… Menino… sua vez!

- Ok! - Responde como um cardíaco que sofrera uma parada reage ao desfibrilador.

- Cansado?

- Pois é… (só se for de mim mesmo)

- Quer um café?

- Não precisa, obrigado, já voltei pro mundo! - Mundo esse amarelo, quase pardo da cor de envelopes, do escritório do homem.

- Então entre lá que já tá na sua vez. - insiste a mulher.

Antes de sair da sala de espera, olhou em volta os outros meninos engravatados e ajeitou seu terno. A salinha fria somada à voz constante da mulher deixaram-no sonolento. Percebe-se a tranquilidade invejável (ou excessiva) de quem está prestes a se deparar com o futuro, ou ao menos uma chance para esse jovem indeciso que busca um futuro.

Em passos largos e confiantes ele sai do berçário monótono para entrar na sala do "enfermeiro-chefe" (ou do dono do hospital). O clima logo muda e a aparência também. O amarelo-envelope dá lugar a um azul-escuro, pujante e vivo, como se as paredes já confrontassem o transeunte, mero mortal, a...

July 14, 2018

#16 de Jacson Pollock, acervo no MAM-Rio

Diante do anúncio de venda do único exemplar da obra de Jackson Pollock no Brasil, hoje exposto no Museu de Arte Moderna (MAM-Rio), vemos efervescer um debate não mais cultural do que político: o que esperar de instituições que, em tempos de crise, sacrificam a Arte?

A decisão foi defendida pelo Ministério da Cultura e surgiu como medida autossustentável, tendo em vista o déficit de 1,5 milhões de reais enfrentado pelo museu. Se abraçada, seria a primeira vez que o Brasil estaria se desfazendo de uma obra do seu acervo para se capitalizar. Nitidamente, nesse estado das coisas, a venda da obra não diz respeito a uma questão de opinião, mas de necessidade. Sejamos objetivos e, no limite, honestos: não é mistério algum que a Arte não é devidamente valorizada, tanto no Brasil quanto pelo Brasil, se não em debates que atestam austeridade e polarização crítica. Um conservadorismo careta e míope versus um progressismo que se vende exageradamente virtuoso...

July 8, 2018

Introdução

Estamos em guerra civil. Não com armas e trincheiras a céu aberto, mas de forma muito mais sutil: nos últimos anos, eventos políticos abalaram muitas fundações da vida comunitária brasileira, de forma a unir mentes em fronts opostos e cada vez mais distantes a se bombardear com ideias e argumentos inflexíveis. Este texto trata de uma das vítimas deste combate: o diálogo.

A pedra angular de toda a democracia é o diálogo. A abertura individual para receber e considerar novas ideias sobre como reger a sociedade é condição para o funcionamento da democracia. Por isso, é importante - aliás, é essencial - que não apenas as bocas estejam abertas, mas que ouvidos também o estejam.

E o que seria da nossa democracia sem a troca de ideias? Ou melhor: o que será da sociedade brasileira em uma das maiores oportunidades de reafirmar sua democracia - as eleições de 2018 - sem brasileiras e brasileiros dispostos a escutar uns aos outros? Este artigo suplica a sua atença...

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ISSN: 2447-2662
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