October 10, 2018

E você toca com as pontas do dedo

Frias, marcam a pele quente

Arrepio-me toda, rio por dentro

E por fora transbordo confusa

Isso é novo, profundamente desejável

Embora pintem como condenável

Minhas palavras são pequenas entregas

Meus olhares, grandes discursos

E minhas flores esperam por ti

E minhas rosas florescem

O meu cabelo, enfeitado com a grande coroa

A coroa dos meus sentimentos

E minhas mãos percorrem-te

Como Sol, varre áreas devastadas

Como Lua, ilumina áreas encantadas

Como sendo meu, te declaram que te amo

Por hoje, chega, eu me entreguei até o fim

Por hoje eu entreguei a minha mais vergonhosa nudes

Aquela que nunca me fez sentir suja, ou usada, ou objetificada

Eu me despi dos véus da ilusão, e te entreguei o meu maior amor

Eu entreguei as minhas flores

Pois tu é meu jardim.

Natália Lobato é estudante no 2º período de Comunicação Visual na UFRJ.

October 3, 2018

As eleições presidenciais deste ano tomam conta de todas as manchetes diárias dos jornais, revistas e até daquele bate-papo da hora do almoço ou no elevador. O futebol brasileiro parece ter deixado de ser o grande evento de comoção nacional para dar destaque às urnas que elegerão o próximo presidente da República. Enquanto isso, fora de campo o que não falta são os debates, as novas candidaturas, as trocas de agressões e xingamentos e a visão futebolística – lê-se dualista – do eleitor brasileiro.

Muitos me perguntam em quem eu vou votar e porquê, e foi com base nisso que me inspirei a elaborar esse texto. Não só fico incomodado em responder essas duas perguntas como com as réplicas delas quando as respondo. Seria o meu candidato tão bom assim para eu justificar meu voto nele em uma mísera conversa de corredor? Certamente não, nem o meu, nem o seu, e nem o de ninguém.

O fascínio brasileiro no Curto Prazo

Talvez a predileção brasileira em querer respostas rápidas em um curto espaço de temp...

September 30, 2018

Amarelo. Cor chamativa, forte, muito visível. Símbolo de alerta, atenção, indicação. Urgência.

Não à toa é a cor escolhida pra representar o mês mundial da Prevenção ao Suicídio. Isso é assunto amarelo, importantíssimo. E, além do suicídio, é importante também falar sobre outros distúrbios mentais.

Ansiedade, depressão, síndrome do pânico, pensamentos suicidas. Uma lista de distúrbios que a sociedade vê de forma muito equivocada e que, na verdade, são vividos ativamente por nós. 

Já ouvi falar que, antigamente, o conhecimento desse tipo de coisa era muito limitado. Não é raro ouvir pessoas de gerações anteriores dizendo que, na época deles, isso tudo não existia... Só que existia sim. Na verdade, naquela época, as pessoas que tinham esses distúrbios eram consideradas loucas.

Loucura (sic.): Sentimento ou emoção que foge ao controle da razão.

De fato, se levarmos em consideração o significado da palavra, podemos perceber que muitas vezes esse tipo de problema expõe sentimentos que não condiz...

September 26, 2018

Tarefas. Cansaço. Rotina. Ansiedade. Estigmas. Seu pescoço nu, levemente tocado por alguns poucos fios de cabelo que fogem de seu coque apressado. Prazos. Seminários. Boletos. Correria. Textos atrasados. Semana de provas. O blasé.

A dificuldade em ter pequenos momentos de enorme prazer, oriundos dos mais simples momentos de um apaixonado. Três encontros realmente te cansam da pessoa, ou você não está se permitindo? Reflexões não tão simples.

Coloco a culpa em não ter tempo? Afinal, de 7 às 22 são horários de estudo e trabalho. Quem sabe, jogo elas para os problemas ligados à subjetividade? Afinal, você era um pequeno romântico, defensor da paixão e do amor, escritor assíduo que queria entregar cartas para suas paixões (quase todas platônicas, que acabaram por realmente não receber tais cartas), desenhista nos tempos vagos também para presentear a pessoa desejada.

Seja qual for a causa (ou talvez sejam todas), me manifesto para que a modernidade e os ramos complexos da sociedade moderna nã...

September 23, 2018

Uma coisa que eu admiro muito sobre a escrita é a sua singularidade. Pessoalidade. Pra mim é quase como se fosse uma conversa íntima com alguém que está abrindo as portas dos rios dos seus pensamentos. Coisa doida. Acho muito interessante que diversas pessoas possam contar um fato idêntico através de muitas lentes, muitas culturas, formas e gostos distintos. Um fato presenciado por pessoas diferentes pode virar um texto, uma música ou uma trova. Alegria ou trauma, felicidade ou tristeza. Que bom!

O irônico é que tradicionalmente se fomenta muito na sociedade o que se pode chamar de um efeito-rebanho: As pessoas tendem a se padronizar, se misturar, encaixar naquilo que lhes é designado e assim acabam passando despercebidas, aéreas, deixando de valorizar esse sopro que é a vida. Fazer parte do rebanho é tentador, quase que uma solução fácil para os tortuosos e enigmáticos desafios que nossa vida nos fornece. Mas será que ela não te reserva algo melhor? Ninguém se destacou fazendo o mesmo...

September 18, 2018

O amor

Não é o que eu pensei que seria.

Ele não anda de mãos dadas,

Ele não pensa em ter filhos,

Ele não dorme abraçado

(Necessariamente).

O amor

Não é a constância do tempo

E a certeza de um amanhã.

O amor

Não é a vontade de estar junto.

Tampouco o desejo

De se separar.

O amor

Pode ser um gole de vodka,

Seguido de um beijo quase desconhecido.

Pode ser a ressaca

Dos apaixonados,

Dos desesperados,

Dos loucos.

O amor

Pode ser o desejo de distância

Ou a ânsia do encontro.

Pode ser,

De todas as coisas,

A paixão efêmera,

Que mal tem tempo

De virar amor.

O amor

É como as ondas do mar,

Ou as ondas

Que esse poema forma,

Na página em branco,

Cuidadosamente.

Mas

O amor

Não é isso.

O amor não é o cálculo dos poetas,

A métrica e a ciência.

O amor

É isso

Que não ouso chamar amor,

Porque fugaz.

Uma festa de dia inteiro,

Um sofá apertado para dois,

A tua tentativa,

Muito bem-sucedida,

De me embebedar.

Onde o teu corpo,

Amada,

Entre todas as amadas?

Qual tua voz,

Amada,

Entre todas as amadas?

A tua dança,

Teus olhos claros,

Tua conversa leve.

Amada,

Entre e...

September 16, 2018

A Queermuseu invadiu o Rio de Janeiro. Apesar de calada em Porto Alegre, por ter sido suspensa antes do tempo previsto, a exposição voltou. Mais questionadora, mais polêmica, mais queer, vem acompanhada do subtítulo mais do que adequado: "Cartografias da Diferença na Arte Brasileira".

A exposição rompe paradigmas há muito tempo. Além de instigar debates sobre o que é arte e o que o deixa de ser, abre espaço para artistas manifestarem pautas frequentemente marginalizadas e invisibilizadas. Daí a importância de, mesmo com toda a censura realizada previamente, no Santander Cultural, a mostra voltar e retratar questões de gênero, de diversidade cultural e de lutas raciais.

As obras são extremamente intensas. Não há nada que não estimule reflexões sedentas por espaço no debate artístico brasileiro. Nossa arte é elitizada. Desde o acesso à matéria prima até o networking necessário para expor em reconhecidas galerias, passando, inevitavelmente, pelo conteúdo das obras produzidas, tudo isso é di...

September 11, 2018

Era um dia característico de verão quando te vi pela primeira vez. O céu estava azul. As folhas, que passei a sempre ver da janela do seu quarto, estavam mais verdes que o normal. O trânsito era calmo. Tudo parecia propício ao nosso encontro. Já estava desgastada, até desesperançosa, depois de ter procurado por tanto tempo. Mas, finalmente, te achei. Subi as escadas da pequena portaria e entrei no elevador de porta pantográfica, me sentindo como que em um filme antigo. Abri a porta branca com o número 403 e me deslumbrei.

Tudo o que eu desejava estava ali: um piso de madeira, janelas enormes, muita luz, armários cheios de espaço e um banheiro com azulejos azuis. O apartamento perfeito. O apartamento perfeito para iniciar minha nova vida.

Casa passou a ter outro significado. Não era mais o mesmo lugar onde meus pais moravam, onde dormiam meus cachorros ou onde ficavam as roupas da minha irmã. Não era mais onde passei parte da infância ou da adolescência, onde estudei incansavelmente para...

September 9, 2018

Sinopse

Um Pequeno Favor é o livro de estreia de Darcey Bell. O livro conta a história de duas melhores amigas: Emily e Stephanie. Quando Emily pede a Stephanie para buscar seu filho Nicky na escola, ela facilmente concorda. Afinal, é isso que amigas fazem. Mas, conforme o dia vai passando, Emily não volta para buscar o seu tão amado filho. Não atende o telefone, muito menos responde as mensagens de texto, o que nunca acontecera antes. Desesperada e sabendo que algo está errado, Stephanie tenta buscar ajuda em seu blog, mas sem sucesso. O que será que aconteceu com Emily?

Resenha

O livro promete logo em sua capa ser o sucessor de “Garota Exemplar”, o que não é o caso. Ainda que trate de um mistério e que traga reviravoltas, você simplesmente demora para se importar com os personagens. A cada reviravolta o livro se parece mais com uma novela mexicana e menos com livros como “Garota Exemplar” e “A Garota no Trem” (outro livro espetacular de mistério).

Mas, justamente pela trama parecida com...

September 5, 2018

As vidas mais perturbadas ensaiavam seus caminhos no sorrir das estrelas do último domingo. Mesmo os de casa própria ou os de morada nas ruas, nosso inconsciente toque de recolher sussurrava um “já é tarde”. Passos largos encardiam os pés dos que andavam. Mãos ofegantes suavam o volante dos que dirigiam. As cortinas se fechavam para o primeiro domingo de setembro no Rio de Janeiro e, se segunda-feira não tivesse demorado tanto a se levantar, talvez o grande-esquema-das-coisas esquecesse do fogo carrasco que fez acinzentar o Museu Nacional.

Ungidos no espírito do tempo, museus guardam itens de valor inestimável. Afrescos, ornamentos, pinturas, relicários fósseis e outras inumeráveis expressões da Arte e da História marcham compassadamente a fim de alinhar as vértebras da trajetória humana fora dos domínios mercadológicos. Tão sacros para a História como são as igrejas, templos, mesquitas e terreiros para as Religiões, museus são revestidos de patrimônio cultural....

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ISSN: 2447-2662
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