September 18, 2018

O amor

Não é o que eu pensei que seria.

Ele não anda de mãos dadas,

Ele não pensa em ter filhos,

Ele não dorme abraçado

(Necessariamente).

O amor

Não é a constância do tempo

E a certeza de um amanhã.

O amor

Não é a vontade de estar junto.

Tampouco o desejo

De se separar.

O amor

Pode ser um gole de vodka,

Seguido de um beijo quase desconhecido.

Pode ser a ressaca

Dos apaixonados,

Dos desesperados,

Dos loucos.

O amor

Pode ser o desejo de distância

Ou a ânsia do encontro.

Pode ser,

De todas as coisas,

A paixão efêmera,

Que mal tem tempo

De virar amor.

O amor

É como as ondas do mar,

Ou as ondas

Que esse poema forma,

Na página em branco,

Cuidadosamente.

Mas

O amor

Não é isso.

O amor não é o cálculo dos poetas,

A métrica e a ciência.

O amor

É isso

Que não ouso chamar amor,

Porque fugaz.

Uma festa de dia inteiro,

Um sofá apertado para dois,

A tua tentativa,

Muito bem-sucedida,

De me embebedar.

Onde o teu corpo,

Amada,

Entre todas as amadas?

Qual tua voz,

Amada,

Entre todas as amadas?

A tua dança,

Teus olhos claros,

Tua conversa leve.

Amada,

Entre e...

February 18, 2018

Eu amo as ondas,

Que afogam os desesperados

E afundam as pequenas canoas.

Eu amo o vento,

Que varre a face da terra

E o telhado das casas de madeira.

Eu amo a chuva,

Que transforma em rios as ruas

E apaga a luz de meu quarto.

Eu amo os tiros,

Que atravessam o corpo despreparado,

Nas horas quietas da noite.

Eu amo as lágrimas,

Escorrendo no macio da face,

Transbordando as dores da alma.

Eu amo a guerra,

Que lava de sangue o corpo da terra

E preenche de raiva o vazio humano.

Eu amo o medo,

Que trava os passos na madrugada

E gera a gagueira dos apaixonados.

Mas,

Acima de tudo,

Amo estes teus olhos.

Essa inconstante

loucura,

Irrequieta,

Que fragmenta a saudade.

Essa pontada de angústia,

Que reparte a despedida,

Para que ela doa mais.

Como pequenos cacos de vidro,

Cravados no cerne da existência,

De um antigo vaso que se quebrou.

Como todos esses sofrimentos,

Que apenas existem porque sentimos.

Que apenas sentimos,

Porque amamos sentir.

João Pedro Vasconcellos é aluno da FGV Direito Rio

As ilustrações deste p...

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ISSN: 2447-2662
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